Résumés et notices biographiques des intervenants

Resumos e notas biográficas dos participantes

Aldinida Medeiros e Fabio Mario da Silva Albertina Pereira Ruivo Anamaria Fiziola Annabela Rita
Barbara Gori Dionísio Vila Maior Giorgio de Marchis Isabel Pires de Lima
Jean Carlos Garniel José Cândido de Oliveira Martins Juliana Maia de Queiroz Katrym Aline Bordinhão dos Santos
Leonardo de Atayde Pereira Lúcia Granja Luciene Marie Pavanelo Luís Bueno
Maria Cristina Batalha Maria do Carmo Cardoso Mendes Maria Helena Santana Maria Manuela Brito Martins
Marilene Weinhardt Mauricio Salles Vasconcelos Patrícia da Silva Cardoso Paulo Motta Oliveira
Pedro Schacht Pereira Ricardo Nobre Rosana Apolonia Harmuch Salete de Almeida Cara
Sandra Maria Fonseca Leandro Sérgio Paulo Guimarães de Sousa Teresa Cristina Cerdeira  

 

 

 

 

 

 

Aldinida Medeiros (UEPB/GIELLus/PPGL-UFPB)
e
Fabio Mario da Silva (UNIFESSPA/CLEPUL/CEC)
 

Titre: Mitos portugueses no romance histórico: figurações dum painel cultural da nação portuguesa

Résumé

   Esta comunicação tem por objetivo discutir o romance histórico do ensaísta, professor, poeta e romancista António Cândido Franco, a fim de observar uma tendência nacionalista deste autor, que retoma figuras históricas como protagonistas de suas obras. Para tanto, limitamos nosso corpus a três romances, buscando elucidar sua elaboração ficcional sobre Isabel de Aragão, Inês de Castro e Leonor Teles. Suas obras Os pecados da Rainha Santa Isabel (2002), A rainha morta e o rei saudade (2004) e Vida Ignorada de Leonor Teles (2010) apresentam uma visão, no mínimo peculiar, sobre cada uma destas personagens. A exemplo, neste último romance mencionado, observamos mesmo um total distanciamento do referencial histórico, visto que nos deparamos com uma figura feminina que, endemonizada pela historiografia, ganha na obra um perfil místico a beirar o angelical. Nossa discussão pretende demonstrar que este conjunto romanesco vai além da escrita de ficção histórica e contempla, como peças de um mosaico, um painel da cultura portuguesa a partir destas figuras mitificadas. Nossas reflexões serão subsidiadas por aportes teóricos, como Linda Hutcheon (1991), Maria de Fátima Marinho (1999), Cristina da Costa Vieira (2008), Miguel Real (2012), etc.

Palavras-chave: Romance histórico; António Cândido Franco; Figuras históricas portuguesas.

Notice biographique

   Fabio Mario da Silva (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará)


Fabio Mario da Silva é Professor de Literatura Portuguesa da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará também vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Letras (POSLET) do ILLA (Instituto de Linguística, Letras e Artes). É pós-doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo, com bolsa da FAPESP. É doutor em Literatura e mestre em Estudos Lusófonos pela Universidade de Évora. É pesquisador do CNPq, nos seguintes projetos: "Figurações do feminino: Florbela Espanca et alii" e “Estudos Portugueses e Africanos”. Também é pesquisador integrado do CLEPUL(Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias) e membro colaborador CEC (Centro de Estudos Clássicos) ambos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Também integra a equipe do Centro Internacional e Multidisciplinar de Estudos Épicos (CIMEEP) da Universidade Federal de Sergipe. Atualmente dirige, em conjunto com a Professora Cláudia Pazos Alonso (Universidade de Oxford), a edição crítica das Obras Completas de Florbela Espanca pela Editora Estampa (Lisboa) e organizou, também em conjunto com Cláudia Alonso, uma edição da Obra da modernista Judith Teixeira, com textos inéditos, pela Editora Dom Quixote. Prepara a edição da trilogia épica de Soror Maria de Mesquita Pimentel, primeira epopeia escrita por uma mulher em língua portuguesa.

   Aldinida Medeiros

Professora Efetiva na Universidade Estadual da Paraíba, leciona Literaturas Portuguesa e Brasileira. É vinculada e orientadora nos Programas de Pós graduação em Literatura e Interculturalidade (PPGLI) e Programa de Mestrado Profissional em Letras (ProfLetras) desta mesma universidade. Tem Pós-doutoramento pela Universidade de Coimbra e desenvolve, atualmente, novo pós-doc pela Universidade de Évora. É Doutora em Literatura pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Integrou por dois ano o Programa de Pós Graduação em Letras da UFPB. É coordenadora do Grupo Interdisciplinar de Estudos Literários Lusófonos (GIELLus/UEPB) vinculado ao CNPq. Recebeu o Prêmio Pibic/CNPq 2014 de melhor projeto pela Universidade Estadual da Paraíba. Coordena, há três edições, o Grupo de Trabalho Literatura e Estudos de Gênero: Reflexões de (e para) a Sala de Aula no ENLIJE/ Universidade Federal de Campina Grande. Tem artigos publicados sobre romance histórico em livros e em periódicos, brasileiros e internacionais. Publicou pela Editora UEPB o livro Travessias pela Literatura Portuguesa: Estudos Críticos de Saramago a Vieira.

 

Albertina Pereira Ruivo (Sorbonne Université)
 

Titre: Memorial do Convento: un regard singulier sur la dimension historique du XVIIIe siècle

Résumé

   Dans son œuvre Memorial do Convento, José Saramago nous transmet une vision assez particulière de la dimension historique du XVIIIe siècle. Dans cette œuvre représentative du Roman Historique moderne, dès la première phrase, l'auteur invite son lecteur à voyager à travers les valeurs socioculturelles de l'époque du règne du roi Dom João V. Saramago décrit la vie des monarques sur un ton ironique, souvent satirique notamment en ce qui concerne les pratiques religieuses. Le roi Dom João V et la reine Dona Maria Ana Josefa sont des personnages historiques, dont Saramago se sert pour établir une dimension historique vraisemblable, faisant ressortir les problématiques de la société de l'époque, comme les excès du roi et les injustices commises par l'Inquisition. Contrairement aux attentes du lecteur, les personnages qui font l'ouverture de la narrative, n'occupent que le second plan, le premier plan est occupé par deux jeunes issus de milieux pauvres, représentant ainsi le peuple.
Pour commencer nous verrons comment l'auteur tisse la toile de fond du roman, comment il met en relation l'Histoire et la fiction et, en suite, nous étudierons la façon dont il souligne les faits historiques et culturels de l'époque tout en donnant la parole aux oubliés de l'Histoire.

Notice biographique

   Albertina Pereira Ruivo (Sorbonne Université)


Docteur en Études du Monde Lusophone par l’Université Sorbonne Nouvelle- Paris 3, en cotutelle avec l'Université Nouvelle de Lisbonne.
Enseigne, depuis 2017, la Littérature, la Langue et la Civilisation portugaises, à la Faculté des Lettres de Sorbonne Université. De 2015 à 2017 a enseigné la traduction littéraire et la traduction orale et professionnelle à l’Université Sorbonne Nouvelle-Paris 3, en 2015-2016, et la langue portugaise, en 2016-2017. En 2011-2012, a été ATER en langue et civilisation portugaises, à l’Université de Caen Basse-Normandie. Appartient au Centre de recherche sur les pays lusophones (CREPAL), de l’Université Sorbonne Nouvelle-Paris 3 et au Centro de História d’Aquém e d’Além-Mar, de l’Universidade Nova de Lisboa (CHAM-Centro de Humanidades). Auteur de plusieurs articles sur la littérature portugaise.

 

Anamaria Fiziola (UFPR)
 

Titre: Manuel de Sousa Coutinho, Rui Gomes de Azevedo e o desastre de Alcácer- Quibir

Résumé

   O século XIX é pródigo numa produção literária sebástica, i.e., relativa à tragédia de Alcácer- Quibir e ao destino de D. Sebastião. Nos primeiros anos do século, com as sucessivas ocupações francesa, inglesa e espanhola, há um recrudescimento do mito sebastianista, acompanhado de manifestações literárias, populares e eruditas, que encontram na figura do Desejado o renascer da pátria portuguesa; mesmo enfraquecida, essa tendência atravessa o século. Em paralelo, circula também a crítica do mito e das suas expressões políticas. Dois exemplos desta tendência crítica, são o drama Frei Luís de Sousa (1843), de Almeida Garrett, e o romance O senhor do paço de Ninães (1867), de Camilo Castelo Branco. Examinando obras separadas por cerca de duas décadas, este trabalho compara o tratamento literário dos protagonistas Manuel de Sousa Coutinho e Rui Gomes de Azevedo face ao desastre de Alcácer-Quibir e seus desdobramentos.

Notice biographique

   Anamaria Filizola (Professora aposentada da Universidade Federal do Paraná)


Deu aulas de literatura portuguesa, literatura comparada portuguesa e brasileira.
Linhas de pesquisas: discursos biográficos; literatura e história; Agustina Bessa-Luís.

 

Annabela Rita (Universidade de Lisboa)
 

Titre: O verbo ao espelho da História

Résumé

   Pretende-se, com esta conferência, reflectir sobre alguns aspectos da vida do Romance Histórico desde o séc. XIX aos nossos dias: do projecto original às metamorfoses, ao sabor das circunstâncias e dos projectos estéticos; do cânone à periferia, onde avultam os best-sellers; das convenções aos processos de credibilização e de esteticização. Percorrer-se-ão, por isso, autores e obras mais estratégicos para o esclarecimento das questões assinaladas, desde o Romantismo até à actualidade.

Notice biographique

   Annabela Rita (Universidade de Lisboa)


Doutorada em Literatura Portuguesa e com Agregação e pós-doutoramento em Literatura, que trabalha na sua relação com as outras artes, é professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Professora/Investigadora Visitante de diversas universidades (Brasil, Espanha, Itália, Varsóvia), é Presidente da Academia Lusófona Luís de Camões, do Instituto Fernando Pessoa – Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas (da SHIP) e da Assembleia Geral da COMPARES (International Society for Iberian-Slavonic Studies), Vice-Presidente do Conselho Científico do Instituto Europeu de Ciências da Cultura – Padre Manuel Antunes, Coordenadora do CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias), integra as Direcções da Associação Portuguesa de Escritores, do Observatório da Língua Portuguesa e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, a Comissão Científica Internacional da Cátedra Infante Dom Henrique para os Estudos Insulares Atlânticos e a Globalização (CIDH), os Conselhos Científicos e Consultivos de diversas instituições, plataformas interinstitucionais (Letras Com(n)Vida, CILEC - Congreso Internacional de Literatura Española Contemporánea) e de Edições de Obras (Obra Completa do Padre António Vieira, Obra Completa Pombalina, Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa, etc.), tendo sido membro fundador de algumas, etc..

Distinções:

· 30/6/2017: Membro Correspondente do Instituto Balear de la Historia por “su seria y profesional trayectoria, así como su excelso CV”.

· 10/5/2017: Distinção cultural e agradecimento. Atribuição: no 20o aniversário do Centro de Estudos Regianos (CER).

· Março/2017: Distinções na Categoria “Mérito Cultural” & na Categoria “Autoridade Cultural”. Instituições outorgantes: Rede Mídia de Comunicação & Editora Sem Fronteiras.

· Março/2017: Distinção “Homenagem e agradecimento”. Outorgante: Colóquio Internacional Professor Manuel Sérgio (e instituições promotoras).

· 1/7/2016: Membro Honorário do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD) "por reconhecidos méritos académicos e grande contributo para o estudo e divulgação das literaturas e culturas lusófonas". Centro Cultural de Cascais.

· Agosto/2015-Fevereiro/2017: Certificado de Mérito da World Communication Association pela relevância do seu trabalho e pelo significativo contributo para a WCA.

· 22/2/2013: Embaixadora da Meeting Industry e da Economia do Conhecimento, “excelente e digna representante na sua área profissional” em Portugal, “Membro do Clube de Embaixadores de Cascais e da Costa do Estoril”. Cerimónia do II Encontro do CECE. Costa do Estoril.

· 16/7/2012: Medalha de Mérito Cultural do CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias), Lisboa.

· 7/6/2010: Medalha Municipal de Mérito – Grau Ouro atribuída por unanimidade pela Câmara Municipal de Oeiras.

· 17/9/2007: Diploma de Mérito Cultural atribuído pela Academia Brasileira de Filologia e pela Faculdade CCAA, do Rio de Janeiro. Com direção, coordenação e/ou consultoria de várias coleções, revistas (Anpoll (Universidade de Sta. Catarina/Florianópolis), Anuário de Literatura (Universidade de Sta. Catarina/Florianópolis), Études Romanes de Brno (Universidade Masaryk de Brno), Graphos (Universidade de Sta. Catarina/Florianópolis), Letras Com(n)Vida (CLEPUL/INCM), Nova Águia - Revista de Cultura para o Século XXI, Telheiras - Cadernos Culturais, etc.), Congressos Científicos (inter)nacionais, Biblioteca online (LUSOSOFIA), secção no Wall Street International, edição de autores e de obras, participação em júris de prémios literários nacionais e internacionais.

Obras principais: Luz e Sombras no Cânone (2014), Focais Literárias (2012); Paisagem & Figuras (2011); Cartografias Literárias, 2010 (2010; S. Paulo, 2012); Itinerário (2009); No Fundo dos Espelhos (2 vols., 2003-07), Emergências Estéticas (2006); Breves & Longas no País das Maravilhas (2004); Labirinto Sensível (2003); Eça de Queirós Cronista (1998). Últimas obras coordenadas: Fabricar a Inovação. O Processo Criativo em questão nas Ciências, nas Artes e nas Letras (2017), Entre Molduras. A Metamorfose nas Artes, nas Letras e nas Ciências (2016), Do Ultimato à(s) República(s) (2012).

 

Barbara Gori (Università degli Studi di Padova)
 

Titre: A importância da Língua no romance histórico de José de Alencar

Résumé

   José de Alencar pode ser considerado o escritor brasileiro que se dedicou com maior continuidade ao romance histórico. O escritor, acérrimo defensor da função didática e reformadora da escrita, considera a literatura um meio através do qual se pode realizar um dos seus principais projetos: “construir” um público de leitores. Para o fazer, considera ser necessário criar uma literatura com características únicas com a qual o leitor brasileiro se identifique, desenvolvendo e fortificando também o seu sentido de pertença nacional; uma literatura que se lhe adeque, para nela se reconhecer e se rever nas páginas que lê, reconhecendo nelas o que Alencar define como “sabor nativo” – porque a literatura está, antes de tudo, ao serviço da pátria, sendo o Brasil a sua principal musa inspiradora. Neste projeto, o elemento linguístico é fundamental, já que a criação de uma literatura nacional não pode passar sem a afirmação também de uma norma nacional.

Notice biographique

   Barbara Gori (Università degli Studi di Padova)


Licenciou-se em “Línguas e Literaturas Estrangeiras” na Faculdade de Letras da Università degli Studi di Firenze; em 2003, ganhou uma bolsa de estudo para o Doutoramento em “Línguas e Literaturas Ibéricas e Iberoamericanas” na Università degli Studi di Palermo, concluindo-o em 2006, com menção para a publicação. Desde 2001, foi professora com contratos em alguns dos mais importantes ateneus italianos (Perugia, Milão, Turim, Palermo, Parma, Pádua). Participou com comunicações e conferências próprias em vários congressos, em Itália e no estrangeiro, na qualidade de membro da comissão organizadora e/ou científica. Em outubro de 2017 organizou, na qualidade de Presidente da Comissão Organizadora, o Congresso Internacional “Futurismo Futurismos”. Foi também convidada várias vezes a ministrar seminários em Instituições estrangeiras. Desde 2003, é membro da Associação Italia-Portogallo, com sede em Nápoles, e desde 2012 da AISPEB (Associazione Italiana di Studi Portoghesi e Brasiliani) e da AIL (Associação Internacional de Lusitanistas). Desde 2017, faz parte dos conselhos interinstitucionais da Academia Lusófona Luís de Camões, do Instituto Fernando Pessoa – Língua portuguesa e Culturas Lusófonas, do Observatório da Língua Português e do Instituto Europeu Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes. Desde 2016, é codiretora da coleção editorial luso-afro-brasileira “LABRA” da casa editorial “Aracne” de Roma e membro da comissão científica internacional da Revista Letras Com(n)Vida, da revista “Lingua e linguaggi” e da coleção Atlântica da casa editorial PUP de Pisa; além de ser revisora de várias revistas, entre as quais a revista Bakthiniana. Participou no Projeto de Investigação “Portoghese Lingua del Mondo. Metodologie e Strategie Traduttive” (Ricerca di Ateneo a. a. 2007-2008) do Departamento de Estudos Comparados do Istituto Universitario Orientale de Nápoles. Desde 2015 faz parte do “Grupo de Investigação 3”, Multiculturalismo e Lusofonia, do CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias), centro de investigação da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, na qualidade de membro-investigador; foi e é responsável, junto com o prof. Dionísio Vila Maior (Professor da Universidade Aberta e membro/investigador também do CLEPUL), por três projetos de investigação: Os Modernistas, O Modernismo Português e Fernando Pessoa e Futurismo/Futurismos. Desde 2018 é membro investigador do grupo de pesquisa 19 (Figuras do Épico: Identidade e Representação Nacional na Literatura Italiana e em Países Lusófonos) do CIMEEP (Centro Internacional e Multidisciplinar de Estudos Épicos). É autora de monografias e ensaios de língua e literatura portuguesa – sobretudo sobre as duas Gerações do Modernismo português – a Geração de 70 e a de Orpheu – e em particular, respetivamente, sobre a figura e a obra dos escritores Antero de Quental (1842-1891) e Mário de Sá-Carneiro (1890-1916) – e tradutora de textos poéticos e em prosa (entre os quais toda a obra em prosa de Mário de Sá-Carneiro, a poesia de Ângelo de Lima e parte dos sonetos de Antero de Quental).

De 2011 a 2017 foi investigadora no SSD L-LIN/08 “Literatura Portuguesa e Brasileira” na Università degli Studi di Padova, Departamento de Estudos Linguísticos e Literários (DiSLL). Desde 1 de maio de 2017 é Professora Associada no mesmo SSD (L-LIN/08 “Literatura Portuguesa e Brasileira”) pertencente ao mesmo Departamento de Estudos Linguísticos e Literários (DiSLL) da Università degli Studi di Padova.

 

Dionísio Vila Maior (Universidade Aberta)
 

Titre: O Memorial do Convento de José Saramago: a figuração insolvente do romance histórico

Résumé

   Tendo como base de leitura crítica o Memorial do convento, de José Saramago, procurarei refletir sobre o modo como o caráter ficcional do discurso literário obriga a compreender, a um nível imediato, as virtualidades técnico-discursivas, as estruturas profundas de índole semântico-ideológicas que estão inerentes àquela discursividade. Suportarei o meu contributo na Teoria da literatura, na Narratologia, na Semântica e na Pragmática, revisitando assim, alguns termos e conceitos de “representação”, “ficcionalidade”, “referencia”, “verdade histórica”, “verdade ficcional”, “mundo possível”, “pacto de leitura” — procurando, deste modo, que se compreenda melhor em que medida o romance de Saramago poderá ser encarado com um estatuto próximo do (mas não coincidente com o) romance histórico.

Palavras-chave: Memorial do convento; História; Literatura; Romance Histórico


Notice biographique

   Dionísio Vila Maior (Universidade Aberta)


Professor na Universidade Aberta (Portugal). Professor-Investigador da Universidade da Sorbonne (Paris IV); Membro investigador integrado do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL); Professor Convidado em diversas Universidades: Università degli Studi di Padova (Itália); Università degli Studi di Napoli "L'Orientale" (Itália); Universidade de São Paulo (Brasil); Universidade de Santa Catarina (Brasil); Universidade Autónoma de Madrid (Espanha); Universidade Complutense de Madrid (Espanha); Universidade Marie Curie Sklodowska (Polónia). Membro da World Communication Association. Membro do Conselho Científico da CIDH — Cátedra FCT Infante Dom Henrique para os Estudos Insulares e a Globalização (UAb). Coordenador da Comissão Interinstitucional do Instituto Fernando Pessoa e da Comissão Interinstitucional da Academia Lusófona Luís de Camões. Júri da Associação Portuguesa de Escritores. Diretor de diversas coleções literárias e avaliador científico de diversas revistas. Alguns livros publicados: Sob o Signo de Calíope – Sentidos Modernistas, Roma, Aracne | Viagens pela Identidade e Utopia [Coord.], Lisboa, CLEPUL (2018) | A revivência dos sentidos. Estudos de Literatura Portuguesa [ver. e reed.], Linda-a-Velha, Editora Hespéria (2017) | 100 Orpheu (Coord. em colab.), Viseu, Edições Esgotadas (2016) | Do Ultimato à(s) República(s): variações literárias e culturais (Coord. em colab.), Lisboa, Esfera do Caos (2011) | Estudos Pessoanos (CD-Rom), Lisboa, Universidade Aberta (2004) | O Sujeito Modernista — Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros e António Ferro: Crise e Superação do Sujeito, Lisboa, Universidade Aberta (2003) |Discursos — Literatura e Fim de Século (Org.), Lx, Univ Aberta (2002) | Diálogos literários luso-brasileiros (Org.), Coimbra, Pé de Página Editores (2002) | Literatura em Discurso(s): Saramago, Pessoa, Cinema e Identidade, Coimbra, Pé de Página Editores (2ª ed.) (2001) | Fernando Pessoa: Heteronímia e Dialogismo, Coimbra, Almedina (1994) | Introdução ao Modernismo, Coimbra, Almedina (1994; 1996). Diretor Artístico do Coro Mozart. Direção de cerca de 640 concertos. Mais de 250 obras musicais. Reconhecimento: Prémio "Attività di Internazionalizzazione della Didattica 2016-2017" (Università degli Studi di Padova) | Prémio Anim’Arte “Investigação Científica”. Prémio Anim’Arte “Produção Artística” e “Grande Reconhecimento de Mérito Cultural”.

 

Giorgio de Marchis (Università Roma Tre)
 

Titre: O Guarani: veneno e remédio no Romantismo brasileiro

Résumé

   Como demostrou claramente Silviano Santiago, o Indianismo de José de Alencar se baseia numa mitologia romântica que reconhece a nobreza dos colonizados só quando conquistada pelo sacrifício de suas vidas. É precisamente através da vocação sacrificial de Peri que O Guarani consegue contornar o aparentemente incontornável obstáculo da antropofagia, tornando o heroi indígena compatível com os valores da nova nação que o romance histórico brasileiro pretendia enaltecer.

Notice biographique

   Giorgio de Marchis (Università Roma Tre)


Giorgio de Marchis é professor titular de Literatura portuguesa e brasileira e atualmente Diretor do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas Estrangeiras da Universidade de Roma Tre, onde coordena as Cátedras “José Saramago” e “Agostinho Neto”. No âmbito das suas investigações, tem estudado o primeiro e o segundo Modernismo português, organizando edições crítico-genéticas de obras de Mário de Sá-Carneiro (O silêncio do dândi e a morte da esfinge. Edição crítico-genética de «Dispersão», Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2007) e José Régio. Além de se interessar pelo romance contemporâneo em língua portuguesa, nos últimos anos tem escrito artigos e ensaios sobre obras, movimentos e autores (Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Joaquim Manuel de Macedo, Aluísio Azevedo, Bernardo Guimarães, etc.) da literatura oitocentista portuguesa e brasileira, reservando uma especial atenção às dinâmicas do romance-folhetim finissecular (E… Quem é o autor desse crime? Il romanzo d’appendice in Portogallo dall’Ultimatum alla Repubblica (1890-1910), Milano, LED, 2009). Traduziu para italiano obras de autores angolanos (José Eduardo Agualusa, Ondjaki), brasileiros (Luiz Ruffato), portugueses (Fernando Pessoa, A.M. Pires Cabral, João Ricardo Pedro) e moçambicanos (Paulina Chiziane).

 

Isabel Pires de Lima (Universidade do Porto)
 

Titre: O Guarani: veneno e remédio no Romantismo brasileiro

Résumé

   Como demostrou claramente Silviano Santiago, o Indianismo de José de Alencar se baseia numa mitologia romântica que reconhece a nobreza dos colonizados só quando conquistada pelo sacrifício de suas vidas. É precisamente através da vocação sacrificial de Peri que O Guarani consegue contornar o aparentemente incontornável obstáculo da antropofagia, tornando o heroi indígena compatível com os valores da nova nação que o romance histórico brasileiro pretendia enaltecer.

Notice biographique

   Giorgio de Marchis (Università Roma Tre)


Giorgio de Marchis é professor titular de Literatura portuguesa e brasileira e atualmente Diretor do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas Estrangeiras da Universidade de Roma Tre, onde coordena as Cátedras “José Saramago” e “Agostinho Neto”. No âmbito das suas investigações, tem estudado o primeiro e o segundo Modernismo português, organizando edições crítico-genéticas de obras de Mário de Sá-Carneiro (O silêncio do dândi e a morte da esfinge. Edição crítico-genética de «Dispersão», Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2007) e José Régio. Além de se interessar pelo romance contemporâneo em língua portuguesa, nos últimos anos tem escrito artigos e ensaios sobre obras, movimentos e autores (Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Joaquim Manuel de Macedo, Aluísio Azevedo, Bernardo Guimarães, etc.) da literatura oitocentista portuguesa e brasileira, reservando uma especial atenção às dinâmicas do romance-folhetim finissecular (E… Quem é o autor desse crime? Il romanzo d’appendice in Portogallo dall’Ultimatum alla Repubblica (1890-1910), Milano, LED, 2009). Traduziu para italiano obras de autores angolanos (José Eduardo Agualusa, Ondjaki), brasileiros (Luiz Ruffato), portugueses (Fernando Pessoa, A.M. Pires Cabral, João Ricardo Pedro) e moçambicanos (Paulina Chiziane).

 

Jean Carlos Garniel (UNESP / FAPESP)
 

Titre: O Paganini de Eça de Queirós: entre o histórico e o lendário

Résumé

   O músico italiano Niccolò Paganini (1782-1840) pode ser considerado uma das figuras culturais mais icônicas do seu tempo, pois seu grande talento musical, muitas vezes, esteve ligado a diversas lendas, como a do pacto diabólico. O escritor português Eça de Queirós (1845-1900) publicou, em 1866, a narrativa “A ladainha da dor”, no jornal Gazeta de Portugal, reunida, postumamente, no livro Prosas Bárbaras (1903). Nesse texto, tem-se a presença não somente de Paganini, mas também de outros personagens históricos, como o músico Hector Berlioz (1803-1869) e o pintor Ludwig Peter August Burmeister (1804-1870). Objetivamos analisar como Eça recupera esses personagens conhecidos do meio cultural oitocentista, para recriar a lenda de Paganini em sua narrativa, que acaba por adquirir contornos históricos.

Notice biographique

   Jean Carlos Garniel (UNESP / FAPESP)


Graduado em Letras (português/inglês) pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), campus de São José do Rio Preto (Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas – IBILCE). Atualmente, desenvolve pesquisa de Mestrado sobre a produção inicial de Eça de Queirós, junto ao Programa de Pós-Graduação em Letras, pela mesma Instituição, sob a orientação da Prof.ª. Dra. Luciene Marie Pavanelo. É bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), processo nº 2016/25008-2. Atua principalmente nos seguintes temas: Eça de Queirós, narrativa portuguesa, século XIX, narrativa fantástica.

 

José Cândido de Oliveira Martins (Universidade Católica Portuguesa, Braga)
 

Titre: A sombra fantasmática de D. Sebastião na narrativa de Camilo Castelo Branco: da História à ficção

Résumé

   Na assumida atracção pela História, a escrita de Camilo Castelo Branco opera uma re-visão da figura central do imaginário cultural português – o desaparecido rei D. Sebastião. Desde alguns textos polémicos (Boémia do Espírito), passando por narrativas breves, até aos romances O Senhor do Paço de Ninães e A Brasileira de Prazins, o ficcionista apresenta-nos algumas inesperadas recriações do desejado rei Encoberto. Deste modo, a escrita camiliana entronca no rico filão temático-literário do sebastianismo, relevante no âmbito da Cultura Portuguesa, mas com uma aproximação bem peculiar.

Notice biographique

   José Cândido de Oliveira Martins (Universidade Católica Portuguesa, Braga)


José Cândido de Oliveira Martins – Professor Associado (Titular) da Universidade Católica Portuguesa (Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais, Braga), na área da Literatura Portuguesa e da Teoria da Literatura. Investigador do Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos (CEFH), unidade de I&D, reconhecida pela FCT.Além de artigos em revistas da especialidade, tem publicados alguns livros: Teoria da Paródia Surrealista (pref. de Vítor Aguiar e Silva); Naufrágio de Sepúlveda. Texto e Intertexto; Para uma leitura da poesia de Bocage; Fidelino de Figueiredo e a Crítica da Teoria Literária Positivista (pref. de Vítor Aguiar e Silva). Ao nível da edição literária, com fixação do texto, introdução crítica e notas, editou obras de Diogo Bernardes, António Feijó, Teófilo Carneiro e Camilo Castelo Branco
(Novelas do Minho; Eusébio Macário – A Corja; Morgado de Fafe em Lisboa; e Morgado de Fafe Amoroso).

Co-organizou alguns volumes colectivos: Novos Horizontes das Humanidades; Leituras do Desejo em Camilo Castelo Branco; Estética e Ética em Sá de Miranda; Pensar a Literatura no Séc. XXI; e Camões e os Contemporâneos. Colaborou ainda em outras obras colectivas, com destaque para :
Biblos (Enciclopédia); Dicionário de Luís de Camões; Rethinking Humanities: paths and challenges; Audaces et Défigurations: lectures da la romancière portugaise Agustina Bessa-Luís; e Extrême(s): pratiques du contemporain dans les mondes ibériques et latino-américains; Imagologías Ibéricas: construyendo la imagen del otro peninsular; Camilo Castelo Branco e Machado de Assis em diálogo: para além do romantismo e do realismo.

 

Juliana Maia de Queiroz (FALE/PPGL - UFPA)
 

Titre: Romances históricos no catálogo de livros de Ernesto Chardron

Résumé

   Segundo Camilo Castelo Branco, Ernesto Chardron, importante livreiro e editor oitocentista, seria aquele que abriria o mercado editorial português para o livro brasileiro. Em 1874, publica um catálogo da “Livraria Internacional de Ernesto Chardron” apenas com livros produzidos no Brasil. Para os estudiosos do livro e da leitura, essa fonte primária é reveladora no sentido de evidenciar uma parcela dos títulos que estavam à disposição do público leitor no último quartel do Oitocentos dos dois lados do Atlântico. Ao analisar, portanto, o catálogo da livraria de Chardron, a presença do gênero romance é preponderante, sendo que muitos deles são romances históricos. Sabe-se que o século XIX é conhecido por ser o século do romance e, consequentemente, do romance histórico, sendo que vários autores se voltaram a ele. Sendo assim, na presente comunicação, procuraremos analisar aspectos envolvendo a presença desse gênero no interior do catálogo de livros de Chardron em consonância com uma discussão acerca dessa modalidade narrativa que tanto agradou o público leitor oitocentista.

Palavras-chave: fontes primárias; catálogo de livros; romance histórico oitocentista.

Notice biographique

   Juliana Maia de Queiroz (FALE/PPGL - UFPA)


CV resumido: Graduação em Letras (1999), mestrado em Teoria e História Literária (2004) e doutorado em Teoria e História Literária (2011), desenvolvidos na UNICAMP. Realizou pós-doutorado na UNESP de São José do Rio Preto com o projeto de pesquisa "Brasileiros em Portugal e Portugueses no Brasil: romances que cruzaram o Atlântico na segunda metade do século XIX", além de um estágio de pesquisa na Universidade Nova de Lisboa com o mesmo projeto em 2013. Tem experiência como docente de literatura brasileira e portuguesa no ensino médio e superior e, desde 2014, é professora de literatura portuguesa na Universidade Federal do Pará (UFPA), onde atua na graduação e na pós-graduação. Suas últimas produções estão relacionadas ou são desdobramentos de suas pesquisas sobre o romance na área da História do Livro e da Leitura.

 

Katrym Aline Bordinhão dos Santos (IFPR)
 

Titre: A historicização da ficção em A brasileira de Prazins

Résumé

   O enfoque desta análise é o romance A brasileira de Prazins, de 1882, e a forma como a obra aborda a representação de episódios históricos da região do Minho, enquanto se apresentam elementos paratextuais que têm como objetivo configurar fontes que justifiquem uma possível historicização da ficção. O narrador camiliano, como de costume, apresenta seus pensamentos acerca desses processos, que atribui trazerem veracidade ao que conta, e da própria reação da comunidade ao episódio do suposto reaparecimento de D. Miguel, ao mesmo tempo em que aborda uma revolução e o enredo sobre a vida de uma personagem que é afetada por tais acontecimentos.

Notice biographique

   Katrym Aline Bordinhão dos Santos (IFPR)


Professora do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico no Instituto Federal do Paraná (IFPR) – Campus Telêmaco Borba, atua também no curso de pós-graduação Lato Sensu em Ensino de Ciência e Tecnologia, na mesma instituição. Estudou aspectos da obra de Camilo Castelo Branco, com período de doutorado - sanduíche no Centro de Estudos Lusófonos da Universidade Lumière Lyon II, na tese de doutorado em Letras – estudos literários – apresentada na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2016.

 

Leonardo de Atayde Pereira (USP)
 

Titre: A historicização da ficção em A brasileira de Prazins

Résumé

   O enfoque desta análise é o romance A brasileira de Prazins, de 1882, e a forma como a obra aborda a representação de episódios históricos da região do Minho, enquanto se apresentam elementos paratextuais que têm como objetivo configurar fontes que justifiquem uma possível historicização da ficção. O narrador camiliano, como de costume, apresenta seus pensamentos acerca desses processos, que atribui trazerem veracidade ao que conta, e da própria reação da comunidade ao episódio do suposto reaparecimento de D. Miguel, ao mesmo tempo em que aborda uma revolução e o enredo sobre a vida de uma personagem que é afetada por tais acontecimentos.

Notice biographique

   Katrym Aline Bordinhão dos Santos (IFPR)


Professora do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico no Instituto Federal do Paraná (IFPR) – Campus Telêmaco Borba, atua também no curso de pós-graduação Lato Sensu em Ensino de Ciência e Tecnologia, na mesma instituição. Estudou aspectos da obra de Camilo Castelo Branco, com período de doutorado - sanduíche no Centro de Estudos Lusófonos da Universidade Lumière Lyon II, na tese de doutorado em Letras – estudos literários – apresentada na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2016.

 

Lúcia Granja (UNESP)
 

Titre: Sob os olhos do Imperador: Moreira de Azevedo, historiador e romancista histórico

Résumé

   Manuel Duarte Moreira de Azevedo (Itaboraí, 1832 – Rio de Janeiro, 1903) foi romancista, bacharel em Letras pelo Colégio Pedro II, doutor em medicina, professor do mesmo Colégio Pedro II e membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, entre outras atividades. Autor de diversas obras de conteúdo histórico (apontamentos, curiosidades, minibiografias de homens do passado e brasileiros célebres, além de um compêndio de história antiga), escreveu dois romances anunciados como “romances históricos” no catálogo do livreiro-editor Baptiste-Louis Garnier: Lourenço de Mendonça: episódio dos tempos coloniais, publicado no Rio de Janeiro, em 1868, pela Tipografia Nacional Cotrim e Campos; Os franceses no Rio de Janeiro: romance histórico, publicado por B. L. Garnier, em 1870. Esta comunicação apresenta a ficção histórica do autor como parte de ações pessoais e editoriais de divulgação de um projeto de modernização cultural brasileira, de cuja história Moreira de Azevedo foi intérprete oficial.

Notice biographique

   Lúcia Granja (UNESP)


Lúcia Granja est professeur de Littérature et Culture Brésiliennes à l'Université de l'État de São Paulo (l’UNESP, Brésil) et directrice de thèses. Elle est spécialiste de l'étude de l'histoire de la maison d'édition des Frères Garnier (surtout de sa filiale brésilienne), de la relation entre presse et littérature au Dix- Neuvième siècle et de de l'œuvre de Machado de Assis, le plus important écrivain brésilien. Elle est chercheuse associée au Centre d’Histoire Culturelle des Sociétés Contemporaines de l’Université de Versailles Saint-Quentin-en- Yvelines – UVSQ et au CREPAL (Centre de Recherches sur les Pays Lusophones), de l’Université Sorbonne Nouvelle, Paris 3. Entre ses publications, elle souligne :

1. GRANJA, L. Chez Garnier, Paris-Rio (de Homens e de Livros). In: Suportes e mediadores: a circulação transatlântica da literatura (1789- 1914). Direction de Lúcia Granja e Tânia de Luca (à paraître)

2. GRANJA, L. Capítulos de uma revolução: Memórias póstumas de Brás Cubas. Luso-Brazilian Review, Volume 54, Number 2, 2017, pp. 29-44.

3. GRANJA,L.LIMA,L.T.LeitoreseleiturasdeHonorédeBalzacnoBrasil do século XIX. Polifonia: estudos da linguagem, v.23, p.151 - 165, 2017.

4.  GRANJA, L. Um editor no espaço público: Baptiste-Louis Garnier e a consolidação da coleção em Literatura Brasileira. Estudos Linguísticos (São Paulo. 1978), v.45, p.1205-1215, 2016.

5.  GRANJA, L. Touradas tropicais: festa e poder nas crônicas de Machado de Assis. In: Les cahiers du CREPAL, no 19, p. 17-25.

6.  GRANJA, L. Crossing a century: printers, booksellers and publishers in nineteenth century Brazil. In: ABREU, M. e SURIANI, A. C. (Orgs). Connecting people through books, magazines and theatre - a cultural revolution. Londres, I. B. Taurus, 2016.

7.  GRANJA,L.Crônica.Chronique.Crónica.In:RevistadaANPOLL,vol.1, n. 38, 2015, p. 86-100.

8.  GRANJA, Lucia et ANDRIES, Lise e (dirs). Literaturas e escritas da imprensa: Brasil-França. Campinas; São Paulo: Mercado de Letras, 2015.

9.  GRANJA, L. The Brazilian and the French Bas de Page. In: SURIANI, A. C. e VASCONCELOS, Sandra (editors). Books and Periodicals in Brazil, 1768-1930: a Transatlantic Perspective. Londres: Legenda, 2014.

10.              GRANJA, L. Entre homens e livros: contribuições para a história da livraria Garnier no Brasil. In: Revista Livro, v. 3, Revista do NELE (Núcleo de Estudos do Livro e da Edição). São Paulo: Ateliê Editorial, 2013.

GRANJA, L. Rio - Paris: primórdios da publicação da Literatura Brasileira chez Garnier.  In : Revista Letras (UFSM), 2013.

 

Luciene Marie Pavanelo (UNESP)
 

Titre: Marco Tullio ou O Agente dos Jesuítas, de Alfredo Hogan: os horrores da Inquisição como crítica ao passado português

Résumé

   Escritor quase esquecido nos dias de hoje, Alfredo Possolo Hogan escreveu alguns sucessos no século XIX, como A Mão do Finado, continuação de O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, e Mistérios de Lisboa, uma versão portuguesa de Os Mistérios de Paris, de Eugène Sue. Sendo um autor pouco estudado, o restante de sua produção permanece desconhecido. Publicado em 1853, Marco Tullio ou O Agente dos Jesuítas: romance histórico (1568-1600) é uma obra que merece ser resgatada e investigada com cuidado, pois se aproveita do mito sebastianista com o intuito de trazer um olhar crítico ao passado português, sobretudo aos horrores da Inquisição, afastando-se do ponto de vista dos romancistas históricos saudosistas, em voga na sua época.

Notice biographique

   Luciene Marie Pavanelo (UNESP)


Luciene Marie Pavanelo é Professora da Universidade Estadual Paulista (UNESP), na área de Literatura Portuguesa do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas do campus de São José do Rio Preto, São Paulo, Brasil, e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Letras da UNESP. Doutora em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), Mestre em Literatura Portuguesa pela mesma universidade e Bacharel e Licenciada em Letras também pela USP, tem trabalhado há 15 anos, desde a iniciação científica, com o romance português oitocentista. Tem publicado vários artigos em livros e periódicos, no Brasil e em Portugal, e recentemente coorganizou três livros: Marginalidades Femininas: a mulher na literatura e na cultura brasileira e portuguesa (Montes Claros/MG, Unimontes, 2017), Camilo Castelo Branco e Machado de Assis em diálogo: para além do romantismo e do realismo (Rio de Janeiro, 7Letras, 2016) e Diálogos Possíveis: Camilo Castelo Branco, Machado de Assis e a literatura do século XIX (Rio de Janeiro, 7Letras, 2016). Tem coorganizado diversos congressos internacionais em parceria com universidades portuguesas, francesas, italianas e norte-americanas, além de outras universidades brasileiras, entre eles a primeira edição do Congresso Internacional O Romance Histórico em Língua Portuguesa: repensando o século XIX, realizado em 2017 na USP e na UNESP. Foi membro da Diretoria Executiva da gestão 2016-2017 da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa (ABRAPLIP) e atualmente faz parte do seu Conselho Deliberativo e Fiscal. No momento, orienta alunos de iniciação científica e mestrado em trabalhos sobre a narrativa oitocentista em Portugal, e tem se dedicado à pesquisa sobre o romance histórico português do século XIX.

 

Luís Bueno (UFPR / CNPq)
 

Titre: Ora, a história...”: uma leitura de Padre Belchior de Pontes, de Júlio Ribeiro

Résumé

   Publicado em dois volumes em 1877 e 1878, Padre Belchior de Pontes se define como “romance histórico original”. O crítico José Veríssimo recusa-lhe a caracterização, afirmando em sua História da literatura Brasileira (1916) que “nada no livro nos dá a ilusão da época e do meio romanceados”. A relação entre ficção e história no romance é mesmo bastante intrincada e é natural que um crítico do século XIX a estranhasse. Neste trabalho, procuraremos discutir essa relação a partir de dois pólos. O primeiro, é a consideração das fontes a que Júlio Ribeiro recorreu, como A vida do venerável Belchior de Pontes, do Padre Manuel da Fonseca, e a Nobiliarquia Paulistana, de Pedro Taques de Almeida Paes Leme. O segundo, e mais importante, é a análise da postura do narrador: sua preocupação central com o presente e sua visão da história.

Notice biographique

   Luís Bueno (UFPR / CNPq)


Luís Bueno é professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR, Curitiba, Brasil) desde 1996. Doutorou-se em Teoria e História Literáriua pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 2001. Fez pós doutorado na Universidade de Lisboa (2007-2008) e no King's College London (2014/2015). Foi professor visitante na Universidade de Leipzig em 2006 e 2007 e na Unicamp em 2017. Publicou, além de vários capítulos de livros e artigos em periódicos acadêmicos, livros como O hábito da perfeição – Poemas de Gerard Manley Hopkins (São Paulo: Edições Jabuticaba, 2018), Capas de Santa Rosa (São Paulo: SESC/Ateliê), Uma história do romance de 30 (São Paulo: Edusp/ Campinas: Editora Unicamp, 2 ed., 2015). Dentre os livros que organizou contam-se Ética e estética nos estudos literários (Curitiba: Editora UFPR, 2013, com Marilene Weinhardt et alii), A tradição literária brasileira entre a periferia e o centro (Chapecó: Argos, 2013, com Germana Sales e Valéria Augusti), Confederação dos Tamoios: Edição facsimilar seguida da polêmica (Curitiba: Editora UFPR, 2007, com Maria Eunice Moreira) e Remorso: Ficção dispersa de Newton Sampaio (Curitiba: Imprensa Oficial, 2002).

 

Maria Cristina Batalha (UERJ / CAPES)
 

Titre: A História e as vozes do além em O segredo da morta, de António de Assis Júnior

Résumé

   Este trabalho tem por objetivo discutir a relevância do "romance de costumes" O Segredo da Morta, de António de Assis Júnior, surgido inicialmente em folhetim, no jornal A Vanguarda, em 1929, e posteriormente publicado em forma de livro pela editora A Lusitânia, em 1934. Formado na tradição do jornalismo, única forma possível de inserção do intelectual na Angola colonial, António de Assis Júnior é considerado pela crítica como o iniciador do romance nesse país. Trazendo como título uma ambiguidade desconsertante, O segredo da morta, (romance de costumes angolenses), deixa que a descrição dos costumes e das mazelas da sociedade colonial seja tomada progressivamente pela palavra literária e pela imaginação que ficcionaliza a realidade ao seu redor. O elemento que introduz a fantasia é a presença do sobrenatural, responsável por mesclar os dois mundos, combinando a preocupação com a historicidade e a fábula imaginativa que ilustra e, ao mesmo tempo questiona a vocação documental. A presença da marabilia no universo apresentado como real introduz uma fissura na realidade, diluindo as fronteiras entre a História e a lenda, e problematiza o discurso racionalista normalmente acionado para a composição do chamado “romance histórico". A voz do além ganha, assim, a dimensão daquilo que podemos nomear de realismo maravilhoso, ou realismo animista, particularidade da ficção africana, conforme nos sugere Pepetela, em Lueji (1989).

Notice biographique

   Maria Cristina Batalha (UERJ / CAPES)


Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense desde janeiro/2003.
Professora na Universidade do Estado do Rio de Janeiro na Graduação e na Pós-Graduação.
Pesquisadora do CNPq (Centro Nacional de Pesquisa).
Membro associada do CREPAL (Centre de Recherche sur les Pays Lusophones), da Université Sorbonne-Nouvelle, Paris 3, onde efetuou dois estágios de Pós-Doutoramento em 2007 e 2015.
Bolsista do Programa Prociência (FAPERJ/UERJ).
Projeto atual : “Escritores ‘menores’: seu legado e contribuição para o arquivo literário”, vinculado ao Grupo de Pesquisa “Nós do insólito : vertentes da ficção, da teoria e da crítica”, do CNPq ; filiada à ANPOLL, como membro do Grupo de Pesquisa “Vertentes do insólito ficcional”.
Autora de O fantástico brasileiro : contos esquecidos (2011) e Nelson Rodrigues : persona (2013) e Páginas perversas: narrativas brasileiras esquecidas (2017).
Organizadora das obras coletivas : Literaturas em diálogo: o Brasil e outras literaturas (2014) ; (Re) Visões do Fantástico: do centro às margens; caminhos cruzados (2014) ; Murilo Rubião, 20 anos depois de sua morte (2013) ; Vertentes teóricas e ficcionais do insólito (2012) ; Insólito, mitos, lendas, crenças: vampiros e feiticeiras, suas múltiplas representações literárias (2011).
Artigos publicados em revistas especializadas no Brasil e no exterior
.

 

Maria do Carmo Cardoso Mendes (Universidade do Minho)
 

Titre: A História e as vozes do além em O segredo da morta, de António de Assis Júnior

Résumé

   As considerações de Agustina Bessa-Luís sobre a História e o papel do historiador traduzem, com frequência, algum ceticismo, que a narradora compensa através da ficcionalização de factos históricos e de biografias de figuras relevantes da cultura portuguesa.
Todavia, a obra literária de Agustina não ilude um indesmentível fascínio pela História de Portugal e, em particular, por dois dos mais relevantes escritores portugueses oitocentistas: Camilo Castelo Branco e Almeida Garrett.
A comunicação tem assim como propósitos principais: 1) revisitar as conceções, por vezes dissonantes, que a escritora oferece sobre a História de Portugal (em considerações plasmadas sobretudo em Contemplação Carinhosa da Angústia); 2) reconstruir as imagens históricas e ficcionalizadas de Camilo e de Garrett plasmadas por Agustina em Camilo – Génio e Figura e Garrett – O Eremita do Chiado; 3) Determinar o contributo de Agustina Bessa-Luís para uma releitura da História de Portugal, em particular de um estilo epocal que marcou a sua própria criação literária: o Romantismo.


Notice biographique

   Maria do Carmo Cardoso Mendes (Universidade do Minho)


MARIA DO CARMO CARDOSO MENDES é professora e investigadora do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho. É vice-presidente do ILCH e presidente do Conselho Pedagógico do mesmo Instituto.
Especialista em Literatura Comparada e em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea, tem publicado ensaios sobre: escritores de língua portuguesa (Luís de Camões, Padre António Vieira, Camilo Castelo Branco, Guilherme de Azevedo, Eça de Queirós, Camilo Pessanha, Aquilino Ribeiro, Almada Negreiros, Miguel Torga, Agustina Bessa-Luís, Teolinda Gersão, Almeida Faria, Orlanda Amarílis, Rui Knopfli, Mia Couto, Arménio Vieira e Germano Almeida); mito de Don Juan; Ecocrítica; Literatura Fantástica e Policial; influências clássicas na Literatura Portuguesa Contemporânea; Diálogos entre a Literatura Portuguesa e as Literaturas Hispano-Americanas.
As suas publicações mais recentes são os livros Don Juan(ismo): o mito (2014), Artes e Ciências em Diálogo (coordenação com Isabel Ponce de Leão e Sérgio Lira –2015), Idades da Escrita: estudos sobre a obra de Agustina Bessa-Luís (2016) e Humores e Humor na Obra de Agustina Bessa-Luís (coordenação com Isabel Ponce de Leão – 2017) e Ecocriticism 2018. Literature, Arts and Ecological Environment (coedição com Isabel Ponce de Leão e Sérgio Lira – 2018)
.

 

Maria Helena Santana (Univ. de Coimbra – CLP)
 

Titre: Nacionalismo e historicismo em Eça de Queirós (A Ilustre Casa de Ramires)

Résumé

   Numa das suas últimas obras, A Ilustre Casa de Ramires, Eça de Queirós revisita os lugares-comuns do romance histórico romântico. No longo período em que concebeu e escreveu a obra, entre 1891 e 1899, o autor teve tempo de meditar na sua estrutura – seria um conto, depois uma novela, un petit livre e finalmente um romance –, mas também no seu conteúdo, ou seja, nos modos de integrar a História num texto ficcional moderno, quando as condições de existência do género caducaram. E que Portugal representar? Com que intenções o evocar no final do século? Com estas interrogações procuramos ir ao encontro do jogo de espelhos entre o passado e o presente, entre Ramires e o próprio Eça, portugueses desencantados.

Notice biographique

   Maria Helena Santana (Univ. de Coimbra – CLP)


Maria Helena Santana é Professora Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde leciona Literatura Portuguesa desde 1991. Obteve o Doutoramento em 2001, na mesma Universidade, com uma tese intitulada Literatura e Ciência na segunda metade do século XIX. A narrativa naturalista e pós-naturalista portuguesa. É Investigadora Principal do Grupo “Património Literário”, no Centro de Literatura Portuguesa, e membro associado do CREPAL (Sorbonne Nouvelle).
A sua investigação centra-se nos domínios da Literatura Portuguesa dos séculos XIX e XX, nas vertentes de crítica literária e história cultural. Tem-se dedicado, em particular, à narrativa e à cronística do século XIX, áreas em que incidiram as teses de Mestrado e Doutoramento, bem como outras publicações. Paralelamente, desenvolve trabalho de investigação em crítica textual (edição de textos do século XIX). Integrou a equipa de edição crítica das Obras de Eça de Queirós dirigida por Carlos Reis, e colabora atualmente na edição crítica das Obras de Almeida Garrett, dirigida por Ofélia Paiva Monteiro.

Algumas publicações (livros):

Eça de Queirós, Textos de Imprensa VI, Edição crítica. Lisboa, INCM, 1995.

Almeida Garrett: um romântico, um moderno. Actas do Congresso Internacional (Org. de Ofélia P. Monteiro e M. H. Santana), 2 vols., Lisboa, INCM, 2003.

Almeida Garrett O Arco de Sant’Ana, edição crítica. Lisboa, INCM, 2004.
O Melodrama-I (Org. de José O. Barata, Fernando M. Oliveira, M. H. Santana). Coimbra, CLP, 2006. Literatura e Ciência na ficção do século XIX. A narrativa naturalista e pós-naturalista portuguesa. Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2007. (Premiada pelo P.E.N. Clube Português).

Fialho de Almeida, Três Cadáveres, posfácio e fixação do texto por M. Helena Santana, Rio de Janeiro, 7Letras, 2007.

Alexandre Herculano- O Escritor. Antologia (Org. de António Machado Pires, M. Helena Santana). Lisboa, INCM, 2010.

Uma Coisa na Ordem das Coisas. Estudos para Ofélia Paiva Monteiro (Org. Carlos Reis, J.A. Bernardes, M. Helena Santana). Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra- CLP, 2012.

O Século do Romance. Realismo e Naturalismo na Ficção Oitocentista (Coord. António A. Lourenço, M. Helena Santana, M. João Simões). Coimbra, CLP, 2013.

Almeida Garrett Fragmentos Romanescos. Edição crítica de Ofélia P. Monteiro e M. Helena Santana. Lisboa, INCM, 2015.

 

Maria Manuela Brito Martins (Universidade Católica Portuguesa, Porto)
 

Titre: O romance histórico O Monge de Cister de Alexandre Herculano: entre classicismo e inovação

Résumé

   Segundo George Lukács deve-se sobretudo à filosofia de Hegel a base filosófica para uma conceção da história e sobretudo, para a importância de um modelo histórico que favorece a compreensão da vida e da existência humana, bem como assim do seu progresso cultural. O romance histórico surge assim como consequência imediata e inevitável de uma consciência histórica que simultaneamente a engrandece e a critica. Produto do seu tempo, mas com antecedentes na longa e perene literatura ‘clássica’, encontra novas formas de se expressar e de se fixar. Nasce, então, o romance histórico nos inícios do século XIX e é um fenómeno que se propaga a uma escala quase universal. Em Portugal, o escritor que deu início a este tipo de romance foi Alexandre Herculano (1810-1877). Figura ímpar da nossa cultura, inaugura a sua atividade de romancista com a narrativa histórica O Castelo de Faria em 1838. Em 1848, publica O Monge de Cister, outro romance histórico, cujo subtítulo, parece reforçar precisamente o caráter ‘histórico’ do romance quando justapõe: ou a época de D. João I. Em 1867, Camilo Castelo Branco no seu romance O Senhor do Paço de Ninães invoca Alexandre Herculano logo no início do romance para poder justificar as bases históricas da sua narrativa, e talvez ainda mais para confirmar o trabalho do historiador que foi Alexandre Herculano. Tendo em conta a importância desta nova categoria literária na nossa cultura, e em particular, na obra de Alexandre Herculano, o nosso principal propósito tem em vista avaliar os elementos clássicos do romance histórico, tendo em mira prolongar a questão levantada por George Lukács quando levanta o problema de saber porque é que o novo historicismo na arte produziu ele “o romance histórico e não o drama histórico?”. É a partir desta questão, que queremos expor em primeiro lugar o romance de Herculano e de seguida avaliar como se pode entender esta tensão entre ‘romance histórico’ e ‘drama histórico’ n’ O Monge de Cister.

Notice biographique

   Maria Manuela Brito Martins (Universidade Católica Portuguesa, Porto)

ALGUMAS PUBLICAÇÕES RECENTES
Livros
- Tradução do Sermo De paupertate: Beati pauperes spiritu, in Mediaevalia. Textos e estudos, 27 2008, pp. 9-45. url: ojs.letras.up.pt/ojs/index.php/ mediaevalia/article/viewFile/1008/2013
- Introdução à Filosofia Patrístico-Medieval. Porto, Universidade Católica Editora, 2016 [Manual]
- O Privilégio da Pobreza (1216). Estudo e reflexão, de Claire Bissonnette. Tradução, notas, bibliografia e organização, de Maria Manuela Brito Martins. Porto, Centro de Estudos Franciscanos, 2017 (coleção Textos Franciscanos).

Artigos e Capítulos de livros na área de Teoria e crítica literária: Filosofia e Literatura
- “As ressonâncias e as incidências helénicas na poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen” em Palavra, Escuta e Silêncio. Filosofia, Teologia e Literatura. Coord. Jorge Cunha, Maria Celeste Natário e Renato Epifânio. Filosofia e Literatura: Palavra, Escuta e Silêncio. Porto, Universidade Católica Editora, 2014, pp. 263-281.

- A ars poética de Fernando Pessoa à luz da poética aristotélica
, in Revista do Centro de Estudos Portugueses (Belo Horizonte), v. 15 2015, nº 54, pp. 77-99. [Brasil]
- “A poética filosófica ou a filosofia poética? De Sophia a Jorge de Sena, in Filosofia e Poesia. Congresso Internacional de Língua Portuguesa. Org. C. Natário; N. Júdice; P. Mota e R. Epifânio. Porto, Universidade do Porto. Faculdade de Letras, 2016. url: ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/14156.pdf
- “As teses centrais de Fidelino de Figueiredo nas suas Histórias da Literatura, in Fidelino de Figueiredo: Travessias. Estudos de Filosofia e Literatura”. Org. Rita Aparecida; M. Celeste Natário; Renato Epifânio; Luísa Malato. Campinas, SP, Fontes Editores,2016, pp. 365-393.
- “A Simbólica teosófica em «Para a Luz» de Teixeira de Pascoaes”, in O Céu é apenas

- um disfarce azul do inferno
. Porto, Nuizis Zobop, 2016, pp. 67-70.
- “Ângelo Ribeiro: da nostalgia da Grécia ao Romantismo alemão” in A «Renascença Portuguesa». Pensamento, memória e Criação. Coord. A. Braz Teixeira et alii. Porto, Universidade do Porto Edições, 2017, pp. 295-314.
- “O «Compêndio de Philosophia theorética e Práctica de Francisco Xavier Rondina S.J: o renascimento da neo-escolástica»”, in De Portugal a Macau. Filosofia e Literatura no Diálogo das Culturas. Porto, Universidade do Porto. Faculdade de Letras, 2017, pp. 207-229.

 

Marilene Weinhardt (UFPR/CNPq)
 

Titre: Repensando o romance histórico

Résumé

   Reflexão sobre os rumos das teorias sobre o romance histórico, buscando acompanhar as transformações sofridas pelo conceito desde a sistematização proposta por Lukács (1937). Focaliza-se em particular o ensaio “O romance histórico ainda é possível?”, de Fredric Jameson (2007), e um número do periódico Le débat (165, maio-ago. 2011) dedicado as relações da história com a ficção. A tentativa desta abordagem é vislumbrar patamares conceituais e metodológicos que se mostrem operacionais no trato de obras contemporâneas ou não, tendo em vista o percurso realizado tanto pela história como pela teoria literária. A percepção é de que a leitura dessa modalidade narrativa ganha ao se levar em consideração orientações dos estudos históricos no século XX e ao apreender as dimensões do hibridismo que caracteriza a ficção histórica.

Notice biographique

   Marilene Weinhardt (UFPR/CNPq)


Doutora em Letras (USP,1994), professora sênior do Programa da Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR); pesquisadora do CNPq (nível 1D). Ex-presidente da ABRALIC (gestão 2009-2011). Líder do Grupo de Pesquisa (CNPq) “Estudos sobre ficção histórica no Brasil”. Autora de artigos em periódicos especializados e capítulos de livros, produção concentrada na ficção histórica. Títulos publicados: O Suplemento Literário d’O Estado de S. Paulo – 1956-67. Subsídios para a história da crítica literária no Brasil (Brasília: INL, 1987); Mesmos crimes, outros discursos? (Curitiba: Editora UFPR, 2000); Ficção histórica e regionalismo. (Curitiba: Editora UFPR, 2004); Ficção histórica: teoria e crítica (Org.) (Ponta Grossa: Editora UEPG, 2011); Ficções contemporâneas: história e memória (Org.) (Ponta Grossa: Editora UEPG, 2015)
.

 

Mauricio Salles Vasconcelos (USP)
 

Titre: O cortejo da História e o corte-romance

Résumé

Com interesse em investigar a relação entre romance e história, incindindo na história do romance, a contar da época em que se inscreve o projeto de Alexandre Herculano, a comunicação colocará foco nas questões do contemporâneo e das narrativas conceituais. O eixo da análise recai na figura do bobo – além de outras imagens/personae do universo romanesco.

Notice biographique

   Mauricio Salles Vasconcelos (USP)


Professor Livre-Docente da área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa (USP). Autor dos romances Disco Dublê (2018); Meu Rádio (Coletivo Animal), de 2016; Telenovela (2014) e Ela não fuma mais maconha (2011). Publicou os seguintes livros de poemas: Ar Livre (2018); Caderneta-Maquete (2016); Ocidentes dum sentimental (uma recriação, editada em 1998, de “Sentimento dum ocidental”, de Cesário Verde); Sonos curtos (1992); Tesouro transparente (1985) e Lembrança arranhada (1980). Escreveu os ensaios Jean-Luc Godard – História(s) da Literatura (2015); Exterior. Noite – Filosofia/Literatura (2015); Espiral Terra – Poéticas contemporâneas de língua portuguesa (2013) e Rimbaud da América e outras iluminações (1980).

 

Patrícia da Silva Cardoso (UFPR)
 

Titre: A transfiguração ficcional de personagens históricos em Camilo Castelo Branco

Résumé

Nesta comunicação retomarei aspectos da abordagem sobre o tratamento reservado por Camilo Castelo Branco à história em sua obra de ficção, a qual apresentei no “I Congresso Internacional O Romance Histórico em Língua Portuguesa”. Dando continuidade àquela reflexão, centrada na figura do narrador de O senhor do paço de Ninães, focalizarei agora a construção de personagens em O judeu, tendo como ponto de partida a afirmação de Castelo Branco Chaves, para quem os personagens históricos de Camilo não o são de fato, sendo antes personagens camilianos.

Notice biographique

   Patrícia da Silva Cardoso (UFPR)


Graduou-se em Letras pela Universidade Estadual de Campinas (1988), onde também fez Mestrado (1994) e Doutorado (2002), ambos defendidos na área de Teoria e História Literária. Desde 1997 é professora da Universidade Federal do Paraná. Foi professora visitante na Universität Leipzig (2007), na Alemanha, onde ministrou curso sobre as relações entre o modernismo português e o brasileiro. Como bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian, fez pós-doutorado na Universidade Nova de Lisboa (2007-2008). Entre fevereiro de 2014 e janeiro de 2015 fez um segundo pós-doutorado, dessa vez na University of Surrey, Inglaterra, para o qual recebeu bolsa da CAPES. Em 2016, a pesquisa intitulada Texto e imagem: a ilustração literária de Poty Lazzarotto, desenvolvida por Fabrício Nunes, sob sua orientação, ganhou o Prêmio CAPES de Melhor Tese da área de Letras e Linguística. Coordena, desde 2012, o mestrado bilateral entre a Universidade Federal do Paraná e a Universidade de Lyon 2-Lumière. Entre maio de 2015 e maio de 2017 foi coordenadora do Curso de Pós-graduação em Letras da UFPR. Foi presidente da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa no biênio 2016-2017. Sua área de atuação é Letras, com ênfase na Literatura Portuguesa e nos diálogos entre esta e outras literaturas, tais como a brasileira, a inglesa e a francesa. Seus principais interesses são as questões relativas ao conceito de representação e seus possíveis vínculos com o imaginário construído pelo discurso ficcional, no âmbito da produção literária e cinematográfica. A identidade do sujeito e a identidade cultural destacam-se, ainda, como temas/problemas com que se ocupa em sua reflexão crítica e em seu trabalho de orientação nos níveis de mestrado e doutorado.

 

Paulo Motta Oliveira (USP/CNPq)
 

Titre: Armindo e Florisa: quando um árcade se transforma em romancista

Résumé

Filinto Elísio, conhecido no mundo cultural de língua portuguesa principalmente como árcade, publicou em 1803, em Paris, um romance instigante: Verdadeira história dos sucessos de Armindo e Florisa. Partindo do tema de dois enamorados, filhos de famílias rivais, já abordado no Romeu e Julieta, ele acaba por criar uma obra avant la lettre. É um romance original anterior aos primeiros romances modernos das literaturas de língua portuguesa; é um romance histórico anterior aos romances históricos de Scott.
Pretendemos, em nossa fala, refletir sobre as peculiaridades deste romance e apontar relações que podem ser estabelecidas entre ele e a produção romanesca de Camilo Castelo Branco.


Notice biographique

   Paulo Motta Oliveira (USP/CNPq)


Paulo Motta Oliveira é Professor Titular da Universidade de São Paulo e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Defendeu a titularidade em Literatura Portuguesa em 2016. Ultimamente tem centrado sua pesquisa na ascensão do romance nos países de língua portuguesa. Coorganizou, entre outros, Marginalidades Femininas: A mulher na literatura e na cultura brasileira e portuguesa em 2017 e Genuína fazendeira - os frutíferos 100 anos de Cleonice Berardinelli em 2016.

 

Pedro Schacht Pereira (The Ohio State University)
 

Titre: A Interpelação da História e da Historiografia num Romance Trasatlântico: Deus Dará de Alexandra Lucas Coelho

Résumé

No seu terceiro romance, publicado em 2016, a escritora Alexandra Lucas Coelho traz para a literatura portuguesa uma reflexão pós-colonial que é inédita no seu alcance artístico e teórico. Representando uma ação passada durante sete dias da vida de sete personagens (dois dos quais portugueses) na cidade do Rio de Janeiro, Deus Dará efetivamente questiona não apenas a identidade nacional portuguesa e os discursos coloniais que ainda a sustentam, como também põe a nu a relação colonial interna que ainda configura o quotidiano social e cultural de uma grande metrópole brasileira. Nesta comunicação irei refletir sobre os parâmetros que orientam a interpelação quer dos 500 anos de História que unem e separam o Brasil, Portugal e a África, quer dos protocolos historiográficos que determinaram a visão que dessa História tem sido propagada nas culturas de língua portuguesa nos últimos cem anos. Irei também propor uma chave de leitura que explique os pontos de contacto e de fuga que esta obra estabelece em relação à categoria do romance histórico.

Notice biographique

   Pedro Schacht Pereira (The Ohio State University)


Pedro Schacht Pereira é Professor Associado de Estudos Portugueses e Ibéricos na Ohio State University, nos EUA. Licenciou-se em Filosofia na Universidade de Coimbra, e doutorou-se em Estudos Portugueses e Brasileiros na Brown University. As suas publicações incluem o livro Filósofos de Trazer por Casa. Cenários da Apropriação da Filosofia em Almeida Garrett, Eça de Queirós e Machado de Assis (Imprensa da Universidade de Coimbra/Annablume, 2014-15), bem como artigos e capítulos de volumes coletivos dedicados a questões como o orientalismo português dos sécs. XIX e XX, a obra de Eça de Queirós, e a formação e recorrência do discurso colonial de feição lusotropicalista.
Atualmente prepara uma monografia sobre o sublime africano em Eça de Queirós, e outra sobre a representação da temática da escravatura e abolição na literatura portuguesa do século XIX. Na sua atividade letiva ao nível da licenciatura cobre as literaturas portuguesa, brasileira e africana lusófona dos séculos XIX, XX e XXI, e ao nível da pós-graduação tem oferecido seminários de doutoramento sobre o Atlântico Negro Português, Eça de Queirós, o Pensamento Ibérico dos sécs. XIX e XX, etc. Faz parte da equipa que criou, em 2012, o novo programa inter e transdisciplinar de doutoramento em Estudos do Mundo de Língua Portuguesa no Ohio State university. Desde 2017 tem assumido um papel de algum destaque no ativismo público antirracista em artigos de opinião da imprensa e em debates públicos em Portugal
.

 

Ricardo Nobre (Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
 

Titre: O Legado de Tácito no Romance Histórico Português do Século XIX

Résumé

Pretende-se com a presente comunicação estudar narrativas portuguesas cuja acção decorre na Roma antiga. Começar-se-á com uma breve panorâmica sobre as épocas e as personalidades históricas, que retratam quer a romanização da Lusitânia (João Aguiar, Mário de Carvalho), quer outras figuras referenciais (Sousa Monteiro, Seomara da Veiga Ferreira, António Mega Ferreira); no entanto, têm particular interesse as narrativas que fazem coincidir a história de Roma com a história do Cristianismo. Será, por isso, objecto de especial atenção o romance oitocentista Virgínia ou Roma no Tempo de Nero (do Padre Fernando Tomás de Brito, 1869), tendo em vista a análise da relação que a representação de episódios históricos (como o incêndio de Roma ou a culpabilização dos cristãos) estabelece com as fontes da historiografia antiga (Suetónio e sobretudo Tácito).

Notice biographique

   Ricardo Nobre (Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)

Doutorado em Estudos de Literatura e de Cultura, na Especialidade de Estudos Portugueses, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2014), onde antes fizera a Licenciatura (2005) e o Mestrado em Estudos Clássicos (2008). Depois de ter colaborado na revisão científica do Dicionário de Latim-Português da Porto Editora (coord. António Rodrigues de Almeida), foi bolseiro de Doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (2008-2012), Assistente Convidado na Universidade Aberta (2010-2013), onde leccionou Latim e Temas da Cultura Clássica, e professor de Literatura Portuguesa e Cultura Portuguesa Contemporânea do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa da Faculdade de Letras (2015-2017). É desde 2015 docente de Latim no Instituto Superior de Direito Canónico da Universidade Católica Portuguesa e investigador de Pós-Doutoramento (SFRH/BPD/115195/2016) no Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras.
Tem publicado estudos sobre literatura portuguesa moderna e contemporânea e historiografia antiga, centrando-se todavia na sua área de especialização: a recepção da literatura greco-latina e do discurso metapoético clássico em Portugal (desde a fundação da Arcádia Lusitana até à Poesia 61). Colabora com Paula Morão na edição de Lírica de João Mínimo, integrada no projecto de Edição Crítica das Obras de Almeida Garrett (coord. Ofélia Paiva Monteiro), e pertence à Comissão Organizadora dos Colóquios Internacionais A Literatura Clássica ou os Clássicos na Literatura (2011, 2013, 2015, 2017)
.

 

Rosana Apolonia Harmuch (UEPG)
 

Titre: Os efeitos da negação: Eça de Queirós e a História na Ficção

Résumé

A peremptória afirmação feita em carta ao conde de Ficalho (15/6/1885), a respeito da relação entre a Fantasia e a História, literalmente, “a História será sempre uma grande Fantasia”, parece não deixar dúvidas quanto à posição de Eça. Na mesma carta, que se refere à escrita de A relíquia, Eça explicita que a Jerusalém ali construída é a dele, não a de Jesus nem a dos historiadores. Trata-se de uma tomada de posição: a senhora do reino é a imaginação. A clareza de posicionamento, por certo mais aparente que concreta, não impediu que o autor, em diversos textos, revelasse, em graus também diversos, que a História era uma subordinada pouco dada à obediência. Para refletir sobre essa produtiva ambiguidade, este estudo se debruça sobre algumas das muitas ocasiões ficcionais em que a História é utilizada por Eça de Queirós como elemento funcional e até mesmo doutrinário.

Notice biographique

   Rosana Apolonia Harmuch (UEPG)

Professora associada, atua no Programa de pós-graduação em Estudos da Linguagem, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, graduada em Letras Português-Literatura, com mestrado e doutorado concluídos na Universidade Federal do Paraná. Realizou estágio de pós-doutorado na USP, em 2017. Atua como pesquisadora da literatura portuguesa, em especial dedica-se à obra de Eça de Queirós
.

 

Salete de Almeida Cara (USP)
 

Titre: Romance histórico e prosa realista: desafios oitocentista e contemporâneos

Résumé

A proposta deste congresso situa, na perspectiva do presente, a retomada do romance histórico oitocentista (em Portugal e no Brasil), ao se referir ao debate entre Fredric Jameson e Perry Anderson sobre a possibilidade desse romance hoje. Além disso, leva em conta a dialética entre forma literária e processo social como medida do que é particular (e comum) nas narrativas, quando comparadas entre si e com seus modelos internacionais. A partir dessas sugestões, propõe-se aqui refletir sobre as relações entre romance histórico e prosa realista e os desafios postos a um romance originalmente vinculado à afirmação de identidades nacionais, com senso de progresso.

Notice biographique

   Salete de Almeida Cara (USP)

Salete de Almeida Cara é Professora Livre Docente da Universidade de São Paulo, atuando na Pós Graduação da Área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas), com Mestrado e Doutorado no Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da mesma Universidade. Suas pesquisas e publicações mais recentes se dão em torno dos seguintes assuntos: o romance naturalista francês e brasileiro e suas leituras críticas (oitocentistas e contemporâneas); a prosa do romance contemporâneo; o pensamento crítico de Antonio Candido de Mello e Souza. Participa de dois Grupos de Pesquisa vinculados ao CNPq: desde 2007 ao grupo "Formação do Brasil Moderno: Literatura, Cultura e Sociedade", sediado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, que congrega pesquisadores de algumas universidades do país e, desde 2016, do grupo "Formas culturais e sociais contemporâneas", da Universidade de São Paulo.

- Algumas publicações

- Livros e capítulos de livros

- No prelo: "Degradação da experiência", a ser publicado em agosto de 2018, volume organizado por Maria Augusta Fonseca e Roberto Schwarz
- "A data histórica do intelectual em crise", in O intelectual e o espaço publico, org. Izabel Margato e Renato Cordeiro Gomes. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2015
- Bom Crioulo: desejo, sordidez e literatura em sociedades do oitocentos", estudo críitico e notas in Bom crioulo, de Adolfo Caminha. São Paulo: Ateliê Editorial, 2014
- "Desafios para uma literatura comparada", in Literatura Comparada: teoria, crítica, metodologia, org. Benjamin Abdala Júnior. São Paulo, Ateliê Editorial, 2014
- "Formação e negatividade", in A formação em perspectiva, org. Luis Alberto Alves. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2014
- "A presença do romance em Formação da Literatura Brasileira, in O Brasil ainda se pensa, org. Alexandre Pilati et alli. Vinhedo: Editora Horizonte, 2012
- Marx, Zola e a prosa realista. São Paulo: Ateliê Editorial, 2009
- "Um tempo de crise no conto machadiano", in Crônicas da antiga corte (literatura e memória), org. Marli Fantini.Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2008
- Moderno de nascença (figurações críticas do Brasil), org. Benjamin Abdala Júnior e Salete de Almeida Cara. São Paulo: Boitempo Editorial, 2006
- "Esqueletos vivos e argumentos indecorosos", in Moderno de nascença (figurações críticas do Brasil). São Paulo: boitempo Editorial, 2006
- "Trânsito de formas: da vida social às crônicas e personagens de Machado de Assis", in Figuras de ficção, org. Carlos Reis. Coimbra: Imprensa de Coimbra Ltda., 2006

- Artigos em revistas especializadas

- "As armadilhas do contra", in Revista Cerrados (Universidade de Brasilia, UNB), 2017
- "Lição de coisas: ruínas modernas e romance naturalista brasileiro", in Revista Soletras (Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ), 2015
- "Luzia-Homem: um romance naturalista, Revista O Eixo e a Roda (Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG), 2013
- "Algumas lições de Formação da Literatura Brasileira", in Revista O Eixo e a Roda (UFMG), 2011
- "Naturalismo, melodrama e midia", in Revista Via Atlântica (Universidade de São Paulo, USP), 2011
- "O escritor e o crítico (lições de mediação)", in Revista Brasileira de Literatura Comparada, 2011
- "A reflexão literária e política como acumulação", in Revista Literatura e Sociedade (USP), 2011
- "Realismo e perda da realidade: o naturalismo de Émile Zola', in Revista Literatura e Sociedade (USP), 2010
- "Le naturalisme et les impasses de la modernisatiom", in Revista Excavatio (Universidade de Montrél), 2006
- "O ensaio", in Revista da Biblioteca Mário de Andrade, 2006
- "Uma intelectual chamada Gilda", in Revista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), 2006
.

 

Sandra Maria Fonseca Leandro (Universidade de Évora)
 

Titre: Imagens para um romance histórico: identidade nacional em fantasias bi e tridimensionais – Parte II

Résumé

Daremos continuidade ao trabalho que foi apresentado no I Congresso Internacional: O Romance Histórico em Língua Portuguesa: repensando o século XIX, considerando especialmente a difusão das ideias pela imagem. No momento em que a ficção gráfica, pictórica ou escultórica se encontrou com o romance histórico e com a demanda que se pretendia mobilizadora da identidade nacional, que estórias contaram as imagens? Que representações plásticas foram criadas para esse género literário em Portugal desde o Romantismo? O que fez a gravura e a ilustração pela popularização do romance histórico? Que pintores e escultores se dedicaram ao tema? Que obras captivaram a atenção do público em Oitocentos e em perspectiva comparada? Continuarão a ser algumas interrogações a que tentaremos dar resposta.

Notice biographique

   Sandra Maria Fonseca Leandro (Universidade de Évora)

Historiadora de Arte, doutorada pela Universidade Nova de Lisboa com a tese Joaquim de Vasconcelos (1849-1936) Historiador, Crítico de Arte e Museólogo (2009), licenciada e mestre, pela mesma Universidade, com a dissertação Teoria e Crítica de Arte em Portugal (1871-1900) (1999). Frequentou durante dois anos a ESBAL (1989-1991). Professora Auxiliar na Universidade de Évora, tem-se dedicado especialmente ao estudo da Pintura, Desenho Humorístico, Teoria e Crítica de Arte, Museologia, Mulheres Artistas em Portugal, Escultura e Fotografia. Investigadora integrada do Instituto de História da Arte da Universidade Nova de Lisboa e colaboradora de Faces de Eva. Dos diversos trabalhos publicados refiram-se: «Ver num instante: um, meio e multidão». In Joshua Benoliel 1873-1932 repórter fotográfico. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 2005; «O mito do recriador: Luciano Freire e os trabalhos de conservação e restauro da “Pintura Antiga”»; «Invisíveis e intangíveis nos Estudos de Arte: João Couto e o Laboratório Científico». In 40 anos do Instituto José de Figueiredo. Lisboa: IPCR, [2007]. Coordenou o livro Seminários de Estudos de Arte: Estados da Forma I. Évora: Edições Eu é que Sei!; CHAIA, 2007; «Luz sobre Luz: José Malhoa (1855-1933)», «Ligth on ligth: José Malhoa (1855-1933)». In José Malhoa. Milano; Lisboa: Franco Maria Ricci; Arting Editores, 2008; «Como Leoas: as Senhoras Artistas do Grupo do Leão». In Falar de Mulheres: História e historiografia. Lisboa: Livros Horizonte, 2008; «Confirmar a tragédia: Soares dos Reis, Desterrado e «tudo»…»; «Para que serve o juízo? Crítica, critério, críticos e artistas no final do século XIX». In Arte portuguesa do século XIX: 1850-1910. Lisboa: Museu do Chiado – MNAC, 2010; «O Leão Negro». In Columbano. Lisboa: Museu do Chiado-MNAC, 2010; em parceria com Luís Borges da Gama - A duas mãos: desenhos inéditos Manuel Henrique Pinto | José Malhoa. Figueiró dos Vinhos: MFV, 2012; em co-coordenação com Raquel Henriques da Silva – Mulheres pintoras em Portugal: de Josefa d’Óbidos a Paula Rego. Lisboa: Esfera do Caos, 2013. Foi atribuído o Prémio Grémio Literário 2014, ao seu livro Joaquim de Vasconcelos: historiador, crítico de arte e museólogo – uma ópera. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2014. Publicou em co-coordenação com Raquel Henriques da Silva – Mulheres Escultoras em Portugal. Lisboa: Caleidoscópio, 2016. Comissária de exposições entre as quais Lino António (1898-1974), Leiria, (1998–1999), Redes sem mar, Luxemburgo (2010), Museu Infinito, Lisboa (2016), Mão inteligente: Raquel Roque Gameiro (1889-1970) – ilustração e aguarela, (2017-2018), Nós e os outros, Leiria (2018-2019)
.

 

Sérgio Paulo Guimarães de Sousa (Universidade do Minho)
 

Titre: As histórias à margem da História. Sobre A Conjura, de José Eduardo Agualusa

Résumé

José Eduardo Agualusa n’A Conjura (1989) define as linhas mestras pelas quais orientará a sua ficção romanesca de cariz histórico: expor aqueles episódios esquecidos pelo curso majestático da História, sem os quais, todavia, esta dificilmente existiria enquanto tal. Procuraremos recensear e refletir em torno de alguns desses episódios neste primeiro romance do escritor.

Notice biographique

   Sérgio Paulo Guimarães de Sousa (Universidade do Minho)

Sérgio Paulo Guimarães de Sousa, doutorado em Literatura Portuguesa, com uma tese intitulada «Entre-Dois. Desejo e Antigo Regime na Ficção Camiliana», defendida em 2006, é Professor de Literatura Portuguesa na Universidade do Minho (Portugal).
É investigador no CEHUM (Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho).
Lecionou cursos e seminários em diversas universidades estrangeiras (Universidade de São Paulo, universidade de Nanterre La Défense, Universidade de Trieste, Universidade de Copenhaga, Universidade de Bucareste), foi Professor convidado na Universidade Blaise Pascal (Clermont Ferrand) e FLAD/Michael Teague Visiting Associate Professor na Brown University; e ainda Professor Visitante na University of Massachusetts Dartmouth, titular da Cátedra “Hélio and Amélia Pedroso/Luso-American Endowed Chair in Portuguese Studies”.
Para além de diversos artigos em revistas da especialidade (cerca de uma centena) e de participar em vários colóquios e congressos, publicou os livros Matéria de Leituras. Recepção, Hermenêutica, Cinema (Cadernos do Povo – Ensaio, 2000), Teoria Breve da Literatura Infantil (Cadernos do Povo – Ensaio, 2000), Relações Intersemióticas entre o Cinema e a Literatura (Centro de Estudos Humanísticos da Univ. do Minho/Húmus, 2001) e Literatura & Cinema (Angellus Novus, 2003); Quem Sou Eu? Ensaios sobre António Lobo Antunes (Texto Editora, 2015); e é coautor ou coorganizador das obras Ensaios Garrettianos (Cadernos do Povo – Ensaio, 2001), Crimes (Eco)lógicos. Natureza e Cultura nos Policiais de Tony Hillerman (Ausência, 2003), Dicionário da Obra de António Lobo Antunes (IN-CM, 2008), Transversalidades: Literatura/Cinema/Viagens (Centro de Estudos Humanísticos da Univ. do Minho/Húmus, 2009), Leituras do Desejo em Camilo Castelo Branco (Centro de Estudos Humanísticos da Univ. do Minho/Húmus, 2010), Estética e Ética em Sá de Miranda (Opera Omnia, 2011), As Novas Tecnologias e a Literatura Infantil e Juvenil – cenários e desafios (2012); Atas do Simpósio Internacional “Microcontos e outras microformas” (Centro de Estudos Humanísticos da Univ. do Minho/Húmus, 2012); Figuras do Herói. Literatura, Cinema, Banda Desenhada (Centro de Estudos Humanísticos da Univ. do Minho/Húmus, 2013); O Imaginário das Viagens. Literatura, Cinema, Banda Desenhada (Centro de Estudos Humanísticos da Univ. do Minho/Húmus, 2014); Representações do Feminino em Camilo Castelo Branco (Centro de Estudos Camilianos, 2014); Mutações do Conto nas Sociedades Contemporâneas (Centro de Estudos Humanísticos da Univ. do Minho/Húmus 2014); Figuras do Idiota. Literatura, Cinema, Banda Desenhada (Centro de Estudos Humanísticos da Univ. do Minho/Húmus, 2015); Figuras do Animal. Literatura, Cinema, Banda Desenhada (Centro de Estudos Humanísticos da Univ. do Minho/Húmus, 2017).
É ainda responsável pela fixação de texto de diversas narrativas camilianas: Livro de Consolação (2006), Livro Negro de Padre Dinis (2007), História de uma Porta (2009), Memórias do Cárcere (2011), entre outras.
Em 1997 foi-lhe atribuído o Prémio Júlio Brandão na categoria de Ensaio
.

 

Teresa Cristina Cerdeira (UFRJ)
 

Titre: Da Batalha a Mafra: da fundação ao seu avesso

Résumé

Literatura e história ganham no século XIX um espaço de diálogo fecundo. Ambas as narrativas pretendiam, então, guardar ainda a sua própria identidade genológica: a história, com o desejo de se impor como ciência, através do poder de “ir às fontes” como garantia de um discurso da verdade; ao lado da literatura, que expandia o seu fascínio pela narrativa através do romance, gênero que definitivamente se impõe como marca da burguesia triunfante. O fato é que, contudo, um evidente fascínio as aproxima : a história, sem poder calar a sua necessária subordinação às artes da narração (veja-se, em Portugal, Oliveira Martins, ou, em França Michelet); a literatura descobrindo, no subgênero do romance histórico, o gosto da recuperação idealizada do passado como espaço-tempo de fundação de países cujas fronteiras iam definindo, então, os diversos estados nacionais.

Nesse lugar da fundação do reino, recupero a novela “A Abóbada”, de Alexandre Herculano, como exercício seletivo do conceito de nacionalidade, através evocação da construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais comumente conhecido como Mosteiro da Batalha, erigido com o objetivo de escrever em mármore a glória da Dinastia de Avis, contraponto ideal – no Romantismo – do exercício literário que Fernão Lopes tão bem traduzira na crônica de legitimação de D. João I.

Em Portugal, o último quartel do século XX permite um saudável encontro advindo de uma nova reflexão sobre a historiografia (pense-se na Nouvelle Histoire, ela própria herdeira da École des Annales); da recuperação – no que tange à escrita do romance – de um certo gosto de narrar, que ficara profundamente abalado, desde os anos 50, pelo último grande “evento” literário do Ocidente, o nouveau roman; e de um evento histórico absolutamente idiossincrático – o 25 de abril de 1974, que ficou conhecido como a Revolução dos Cravos – e que, em termos nacionais – sem medo da comparação – equivalia à dimensão histórica da Revolução Francesa, capaz que fora de recompor a cartografia do país retornado então às suas fronteiras continentais. Essa conjugação feliz permitiu o florescimento de um novo modelo de narrativa histórica, como se o país necessitasse de uma re-fundação de que a literatura seria o elo chave.

Contudo, essa revisitação de um modelo do passado já não se faria nos moldes que o Romantismo oferecera a Herculano. É antes no viés da ironia, que desconcerta os discursos hegemônicos, que essa travessia se fará. E para estabelecer um recorte simbólico entre duas gigantescas construções nacionais, elejo, como a outra face da moeda, o Memorial do Convento, de José Saramago, pelo simples desejo de contrapor à monumentalidade santificadora com que Herculano pretende ler a construção do Mosteiro da Batalha, a cuidadosa desmonumentalização do poder que substitui a comemoração gloriosa de uma batalha pelo arbítrio da aliança entre Igreja e do Estado, via de acesso do narrador à história do Convento de Mafra, no reinado de D. João V.


Notice biographique

   Teresa Cristina Cerdeira (UFRJ)

Teresa Cristina Cerdeira é professora titular de Literatura Portuguesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora 1B do CNPq. É autora dos livros: José Saramago. Entre a História e a Ficção, uma saga de portugueses (Lisboa, Dom Quixote, 1989); O Avesso do bordado (Lisboa, Caminho, 2000); A Tela da Dama (Lisboa, Presença, 2013); A Mão que escreve (Rio de Janeiro, Casa da Palavra/Leya, 2014); organizadora do livro de ensaios Helder Macedo - A Experiência das fronteiras (Niterói, EdUFF, 2002); e co-organizadora dos volumes comemorativos: Cleonice, clara em sua geração (Rio de Janeiro, EdUFRJ, 1985) e A Primavera toda para ti – homenagem a Helder Macedo (Lisboa, Presença, 2004)
.